sábado, 27 de setembro de 2014

"Terminara a apresentação de um novo ano escolar artistico. As notas diziam que se tratava de uma produção de "um movimento de espírito livre, inquieto e original, ausente de compromissos com escolas, partidos e igrejas". As raparigas sorriam, relembrando a nobre missão que lhes competia enquando "deusas da fantasia" e espíritos da revolução. No caderno de capa amarela, podia ainda ler-se, a descoberta do "sentido último e divino do Universo, numa intuição visionária do real... em diálogo com todas as formas de experiência, desde a religiosa, à artistica e à política". Sentiam-se livres, as discipulas. Agora, saiam em gritinhos da Universidade para o campo de cultivo colectivo ou a "horta mágica" como lhe chamavam. Corria o mês de Setembro. Ainda havia rasgos de sol. Formavam-se clareiras, anéis de luz, nas florestas. Levavam consigo "Sete cartas a um jovem filósofo", em que discipulos de Platão discutiam o mestre, guia espiritual fundamentalmente. O que forma "espiritos conscientes de si mesmo; libertos da sua pessoa" e ansiosos por desenvolverem "novos rumos de Pensamento" e pelo desejo de "não quererem tornar ninguém semelhantes a si próprio". E como a Liberdade é o bem nuclear, supremo, "duvida-se que só o comum seja eterno e que não acompanhe uma eternidade de diferenças". Acima de tudo o Mestre deve fornecer a quem aprende e o escuta o hábito "do amor ao Pensamento". As moças eram manipuladas pelo Sensualismo, "de que as sensações equivalem ao Pensar"; a necessidade de experienciar para entender. E o pensamento discorria puro, atingindo as raparigas estados telepáticos. Amavam numa identificação de "amor como salvação e Inteligência". Por isso, se autodenominavam Guerrilheiras da Paz, pela procura da elevação ao Sublime, quando o Sentir é perfeição: Imaginar e Amar. Um exercício que praticavam num permanente fluxo criativo. Faziam colagens com folhas amareladas de outono, onde escreviam o que o Interior lhes segredava. "A palavra o frémito da alma" e para os mais altos mentores da aldeia, uma arma de combate também. No sentido de proteger mundos sagrados e invioláveis. A desconstrução do Mundo tinha sido feita pela palavra. Tudo é refutável e reduzido ao Nada. À não existência. Até Deus, essa entidade "ordenadora e criadora"... Só o Sentimento é indesconstruível.Luana e Iris aplicavam se num desenho colectivo onde se podia ler em espiral de letras recortadas: "We are making the world dance. We are exploring higher levels of counsciousness. Take the Sound trip and feel tha distortion. Creation! We are the revolution. Love we bring to Gaia!!"......
 http://youtu.be/2d4HjWCkbes

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